segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Presa

Queria que teus olhos fossem menos pontiagudos. Que não me trespassassem assim, como se minha carne não oferecesse resistência alguma ao teu sal e ao vinagre da tua saliva. Dispões das minhas partes como a preparar o teu banquete, mas limita-se a degustar lentamente como se teu apetite ainda estivesse morno.
Ainda sangro.
Enquanto afias teus caninos em outros ossos, de presas já devoradas, por certo mais saborosas ou mais "ao ponto" que eu.
Ainda sangro.
Enquanto me preparas, a fogo lento, para adornar a tua mesa e fazer parte do teu banquete.
Ainda sangro ao sentir o teu apetite e imaginar a força dos teus dentes, mas agora, meu sangue é a lava que escorre do teu vulcão em chamas, quando me chamas para saciar a tua fome.
Entre teus dentes encontro meu ponto.
E meu sangue escorre, quente, pelos cantos da tua boca.

Monica San

5 comentários:

Margarida Rosas disse...

Diversas possibilidades de leitura: ardor, paixão,dor, nudez, obsessão...
Tua poesia sempre bate fundo!!!
Gosto demais.

Mariano P. Sousa disse...

Que texto apimentado!
Tá pegando fogo Mon!
O cume da paixão.
Beijos linda!

Poeta do Simples disse...

sempre extasiante! rs

indiquei o blog lá, dá uma olhada

bjao

http://poetadosimples.blogspot.com/2010/02/o-blog-essencia-e-palavras-me.html

Carlos Rímolo disse...

Querida amiga poetisa!
Muito lindo e reflexivo seu poema.
Gostei. Meus parabéns!!!!!!!
POETA CIGANO - 26/02/2010.

carlosrimolo.blogspot.com

Moniquinha disse...

Margarida querida, obrigada, é muito bom tê-la por aqui.

beijos!

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É isso Mariano, as vezes precisamos dela. Obrigada meu amigo.

beijos!

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Oi poetinha, que bom vê-lo por aqui! Obrigada pelo carinho, já passei por lá.

beijão!

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Carlos Rímolo, seja bem vindo poeta!
Obrigada e volte sempre! É um prazer tê-lo
por estas paragens.
beijos!

Feliz novo ano!

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Nossa mensagem de Natal

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