sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Rio manso

Sabe aquela despedida? Não era um adeus, era apenas um até breve, um até mais. Não haviam motivos pras lágrimas, mas elas rolaram. Insistiram em dar o ar da graça.
Não eram lágrimas de tristeza, pois há muito que tua companhia não me permite momentos tristes. Nem eram lágrimas de decepção, teu amor nunca me decepciona. Nem eram lágrimas de medo, pois teus longos braços não me deixam sentí-lo.
Eram lágrimas de saudades antecipadas, lágrimas de uma breve solidão, lágrimas da ausência tua que não me cabe mais.

Eu sabia que havia a certeza do reencontro, com beijo sabor saudades, daqueles que sempre começam na hora certa e sempre terminam antes, deixando gosto de quero mais. Com direito à olhares lânguidos, carícias exageradas, mordiscadas de vingança pela demora, euforia e alegria extremas afirmando um sentimento além fronteiras.

Tempo e espaço incapazes e insuficientes contra tanto desejo.

Mas chorei.

Não foi um choro melancólico e bucólico, do tipo dramático. Nem foi um choro desesperado e alucinado, do tipo incontrolável.
Foi um choro de rio manso, de rio que não corre mas desfila exuberante rumo à grande e vertiginosa queda de águas claras e volumosas, e deságua forte e torrencial lavando e arrastando tudo quanto encontra pelo caminho.
Um choro que lava a alma, que fortalece, que só faz mais certa ainda a alegria do reencontro.

Chorei e adormeci feliz.
Feliz, porque sabia que passados alguns dias, minhas lágrimas seriam enxugadas por teus lábios sedentos de mim.
Adormeci, como sempre, nos teus longos braços e debaixo do teu olhar atento e apaixonado que jamais me abandona.

Moniquinha

6 comentários:

james de lima disse...

Querida poetisa. Se minhas lágrimas contidas não fossem, seria neste rio infindo que as derramaria. Será um exagero extremo de minha hiper sensibilidade, não. Acredito que, com a labuta incessante, aprendi a controlá-la. Portanto, não a é. É realmente a intensidade imagética, o florescimento reflexivo e o discorrimento contemplativo de uma obra bem tratada que me faz, de algum modo oculto (aos sentidos humanos, pois aos espirituais são te todo revelado)inspirar fundo expirando uma camada de coisas inexplicáveis e enfim, ser profundamente comovido. Deixo aqui meus votos de admiração e contetamento.

Marô disse...

Como sempre: belíssima...

abraço

BLOG DO ZÉ ROBERTO disse...

Eu sou meio que suspeito pra comentar as suas obras pois muitas delas tenho o privilégio de ver brotar, de ver nascer... Sei do que escreves sei do que falas e sei de muitas de suas inspirações. Dizer que é belo é falar pouco. Eu diria que não há adjetivos para expressar o que sinto pela sua obra. Beijos minha linda poetisa, parabéns pelo seu trabalho que é cada dia melhor...

Moniquinha disse...

James, Marô, e Zé, obrigada pelo carinho de vcs.

beijos!!

Agela disse...

Que lindo Moniquinha!
Suave, doce e romântico!
Adorei!Bjs!

Agela disse...

Parabéns pelo Blogger está a cada dia melhor, e mais maravilhoso!!!
B eijos!

Feliz novo ano!

Feliz novo ano!

Nossa mensagem de Natal

Nossa mensagem de Natal