Durante vários dias, a comunidade Café das letras vestiu-se de roça, de interior, de arraial caipira, e deu lugar à um delicioso clima de brincadeira e descontração. Um exercício de preservação do nosso patrimônio cultural, de valorização das nossas raízes, da nossa língua, e do nosso povo. Uma brincadeira onde pudemos usar e abusar da nossa criatividade, poetando de forma diferente e criando situações adversas ao nosso cotidiano. Encerramos nossa brincadeira numa deliciosa festa caipira, o ARRAIÁ DO CAFÉ DAS LETRAS, onde tivemos o casamento caipira, muita poesia na linguagem da roça, e muita alegria em brincadeiras e boa prosa. Agradeço demais a todos que participaram e contribuíram para que a festa fosse um sucesso. Deixo aqui, algumas amostras do que foi mais este delicioso encontro.
TEMO FESTA NO ARRAIÁ
Mês de junho já chegô
com o carrossel de festança
Santo Antônio anunciô
vai trazer as aliança pro casório começá
entrem Maria e João,
fiquem do lado de cá
noivos pegados na mão.
São João mandou dizê
pra todos do arraiáque é pra fogueira acendê
e por a batata pra assá,
uma quadrilha bem soltagirando pelo terreiro:
mãos-pro-alto, meia-volta,
o último será o primeiro.
Não esquecer de São Pedroe sua bandeira levantáao lado do pau de sebo
sobe aqui , escorrega lá. Muitos fogos e balões
bolo, canjica e quentãogente alegre nos salões
toca a sanfona Tião.
Basilina Pereira FESTA JUNINA
Hoje é noite de São João
O sanfoneiro puxa o fole
Esta festa boa! Quanta animação!
Tem de tudo, até o bole- bole.
A fogueira ta queimando
Os fogos riscando o céu
Namorados se declarando
Os homens acenam seus chapéus.
As moças bonitas e namoradeiras
As simpatias farão
Ficam todas faceirasPedem noivos a São João.
O passeio na roça começa.
O puxador gritando: olha a cobra!
Todo mundo pula e reza
A algazarra é agora.
Anavantu, anarriê
O balancê é que é bom!O que querem de você
É que se achegue nesse som.
Cole o corpo bem colado
Desça devagarzinho
Vá lá em cima, vá lá a baixo
É um gostoso reboladinho.
Assim é o forró
Um remelexo dengoso
Dois corpos num só
É um chamego gostoso.
(Aglaure Corrêa Martins)
RastapéHoje tem rastapé na roça,inté o por do sor raiar,inté o dia crareá,inté nossos pezinhos cansá!que todos venham se ajuntápra modo de comemorá,nesse dia portante,minha fia vai casá!!!o vigario fez linda cerimônia,e ja correu come pamonha,que de longe tava a babar!coroné ponhô dinovo o chapéucorreu pertinho do delegado,prá prose´s um bocado,de politica falar!Tô explodindo de felicidade!porque o moço,diga a verdade,que minha fia pode casá,não é moço lá da cidade,não tem muita mardade,é moço bom do arraiá!!!!!vai mora aqui na vizinhança,bem na praça do arraiá,vai aumentá minha familia,embuxá minha fia,e um neto vai me dar!!!!!intonce, sou só gratidão,ao santim do coração,que nem nessercito lhes contá,não é São Pedro nem São joão,è Santo Antonio casamenteiro,que essa bença foi me dar!!!!!!SIMBORÁ COMEMORÁ!!!!!!!!!Ge (Geisa Adriana)Nosso Arraiá
Nosso arraiá tem buniteza
tem aligria, tem cumilança
tem puesia que é uma beleza
e tem os par pra entrá na dança!
Entonce minha gente festera
bora garrá us par pra dançá
vamu butá os pé na forrozera
e ralá os bucho inté do dia raiá!
E vamu fazê muita puesia
com muito amô vamu rimávamu fazê verso di aligria
pra mode nossa festa alegrá!
E viva nosso Arraiá!!!
Moniquinha
Intão vamo dançá e fazê fulia
que o delegado deixou,
até o padre se arrumou,
e esqueçer as estrepulia.
êta nóis!!!
Rose Nessa noite istrelada
A fuguera crepita
Nunca vi tanta cumpanherada
Nunca vi tanta gente arreunida
Vamo dançá, cantá e proseá
Até o dia manhecê
e adispois qui o sór raiá
Vamo continuá o festê
Zé Ro Prumessa torta
Fiz prumessa pra sant'antonho
pra mode arrumá um amô
levei o santin pro riacho
lavei ele morro abaxo
butei ele nos vaso de frô!
Ele sabia dos meu sonho
de vivê um bem querê
de incontrá um namorado
que seje bem apanhado
de caráte bem acertado
pra meu marido ele sê!
Mai achu que num fiz dereito!
Que'le num iscuitô meu pidido!
Inda tô na ispera arretada
to quase nas vorta da istrada
venu a subrinhada crescê
e nada de rumá um marido
nada de incontrá um bindito
nada di nada dele aparicê!
Moniquinha
Eita que festança boa!
to contente por demais!
vô até prova da broa
que a cumadre Rose faz!
Pro Chico vou dar um tiquim
de quantão prele tomá
hoje naum tem cafezim
pra modo da gente esquentá!
Pra fia vou dar minha benção,
chorando de felicidade,
Tô com baita emoção,
dessa união de verdade!
Pro Coroné, meu perdão
de tentar atrapaiá o casorio,
mas se insisti di novo
o véio faz o seu velório!
Pro vigário um vinho quente,
a modo dele se alegrá
ja ta todo sorridente
inté se fartar!
Ge
Neste terreiro iluminado
Vejo a bunita luna no céu
Isso me deixa apaixonado
Ao vê as istrelas como um véu
Tarvez seja os astro
Que se casaro no firmamento
E deixaro lá seus rastro
De luz nesse momento
Zé Ro
Casamento caipira!
quero contar aos presentes,
e deixar gravado aos ausentes,
sobre esse casamento caipira!
que muitos agora admira!
foi tomando café com a gente,
na mesa do café da comunidade,
que surgiu essa vontade,
com tanta espontaniedade,
de uma festa fazer diferente!
Partiram Zé e Moniquinha,
a correr atrás dos noivos,
e pra outros participantes vir,
de uma forma elegante,
postaram tópicos convidantes,
pra todos poetas reunir!
Preparavam roteiro,poesias,
comidas típicas e fantasias
pra todo mundo vestir!
expresso agora com alegria
o prazer das companias
que pintaram por aqui!!!!!!
Fica minha enorme gratidão
do tamanho do meu coração,
a esses grandes amigos!!!!!
e falo com devoção,
que na próxima ocasião,
podem de novo, contar comigo!!!!!!!!!!!!
Ge
Poetá na vizinhançaDo atraso fiz notadoQUe meu istômago roncandoNão viu festa nem salgadoNem viu doce, nem meladoSó o amor que interesseDesta justa comunhãoMais gostoso que a preceÉ o depois... nham nham nham!A Florinha da quermeceQuis buquê e caiu no chãoTrouxe-lhe a minha preceMinha flor e decramação"Casamento é coisa primaQue mais vale a primeira mãoTorço para que a sua, Florinha,traga-me seu coração".Vem comigo, atrás da moitaTem um bicho lego-legoQue pra casar é a melhor firmaFirma bem melhor que pregoMAs se qué ispera buquêJá vou arribando a cintaPara procurá muiéNem que seja a JacintaComé qui é, intão, FrorzinhaVai ter um terecotecoOu eu vou buscar lá na esquinaA muié que engana cego?Minha contribuição terminaComo dispidida lindaTorço para durmir o povoBem quentinho na caminha...Beijão, gente, a noite vaiTenho que acordar cedinhoEssa hora o dia caiE eu vou esquentar o ninho
Bruno
Festa no arraiá.Sinhá moçaVenha dançáÉ festa de São JoãoTem pipoca, amendoimE pinhão.Sinhá moçaPula fogueiraQue o sanfoneiroPuxa o fole...Tem festa até o dia raiáMuito remexe-mexeBole-bole...Sacode as caderas!Sinhá!Seu moçoarranje uma damaE entre na quadrilhado arraiáO noivo tá numa encrencao pai da moçaobrigô casá...puxa o fole sanfoneiroque a noiva já vai entrá.É festa de são JoãoTem mandiocaAssada na brasaPaçocaFeita em casaE não podia fartáO delicioso quentão.São João!São João!entra aí moçadaque o trem tá bão.(Sirlei L. Passolongo)
