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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Gavetas

O dia me acorda em preto e branco.
Abro a janela e...lá está: o sol,
com todo aquele dourado atrevido,
convidando-me à vida.
Por onde começar? Tantas gavetas...
algumas cheirando a bolor, sinal dos tempos.
Mas, então, já não é hora do descarte,
enterrar de vez aqueles sons
que surgem no meio da noite?
Mas como, se não há outra música para ouvir?
........................
Será? Às vezes, insistimos tanto em quebrar as pedras
e nos esquecemos de adubar as flores.

Basilina Pereira

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Remissão

Todas as palavras evaporam-se
diante das minhas incertezas.
Tento lustrar os sentimentos
consumidos por essa fragilidade,
mas o brilho duradouro não vem.
Gostaria de salvar-me desse terremoto:
que me corrói,
caminhar sobre a superfície das manhãs
e renascer redimida
como a grama depois da chuva.
Basilina Pereira

quinta-feira, 24 de junho de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A resina

Acordo.
Hoje o dia é meu
e eu sou o senhor absoluto
das horas.
Estranha sensação esta:
de poder dispor do tempo
no ritmo do meu arbítrio.
O barulho da água é sonolento
e também me insinua
que a rede é o princípio
e o fim do universo.
Quantos cantares me acalentam!
envolvem aquele ímpeto borbulhante
que, ao mínimo descuido,
inventa-me alguma obrigação.
Mais uns passos e...a dúvida:
sentirei tédio em minha própria companhia?
E se eu desdobrar aquele manto de surpresas
que guardo para inéditas ocasiões?
Volto ao ponto de partida:
melhor pegar papel e lápis
e deixar fluir a resina que a imaginação fabrica.

Basilina Pereira

domingo, 21 de março de 2010

Fragata de vidro

Minha vida tem sido espalhada
sobre a relva onde muitos pisaram,
nunca sei quando deixo pegadas
e confesso: meus rastros são raros.

Mas se o barco que levo é de vidro
e temente aos arroubos do mar
mesmo assim entre as ondas oscilo
e é de pé que espero aportar.

No convés trago sempre o roteiro
do tamanho da minha vontade
de vestir-me com versos faceiros
pra sonhar com este azul que me invade.

Basilina Pereira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O tempo da flor


A ave pousou.
Não houve surpresa no ninho
e o calor que rege a vida
foi além de um simples mormaço.
O mar encrespado bateu no penhasco
e as labaredas camufladas entre as fendas da alma
soltaram fagulhas
e respiraram vida própria.
Mas até o fogo faz-se cinzas
e o pó se espalha no vento
para um dia ser história,
na quietude das lembranças.
É a verdade que mais uma vez profetiza:
há um tempo para cada flor.

Basilina Pereira

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Oração do poeta

Foto: Dave Hamster

Senhor da prosa e do verso,

que este poeta disperso,
possa percorrer o mundo
do céu aos vales profundos,
levando pra toda gente
seu canto vivo e ardente
impregnado de carinho
feito arremate de ninho.
Que sua palavra vibrante
vá além de um só instante
do impacto emocional,
pois ela existe, afinal,
pra bordar o dom da vida,
amenizar as feridas,
com sua mensagem de fogo
lembrar que as regras do jogo
são simples questão de escolha;
é o vento esperando a folha.
Senhor do rima (im)perfeita,
eu sei bem: não há receita
mas acolhe em mansidão
esta súplice oração
que eu possa inverter as cores
encher a alma de amores
lavrar o solo infecundo
levar esperança ao mundo
vasculhar o chão dormente
só pra adubar a semente
e espalhar na ventania
todo o encanto da poesia.

Basilina Pereira

domingo, 20 de abril de 2008

Inspiração




















Hoje o dia me levou a inspiração.
Cá no meu canto, calado,
procuro a cor no horizonte
e os grilos em sua cantoria
vêm me lembrar
Que sem tinta
não se pode pintar.
É preciso a lágrima
pra lavar os dissabores de ontem
e preparar os olhos
para o sorriso da alma.
Sei que ele está em algum lugar, latente,
como a semente embutida na flor
e, a qualquer momento, se desdobrará em sombra
para florir canções e primaveras.
As rimas também nascem do silêncio,
aquele colhido em noites de lua cheia
quando as cigarras se quedam mudas
extasiadas de tanto esplendor
e os cães enluarados espreitam, de orelhas em riste,
mas sucumbem ao brilho das estrelas.
Só o meu peito continua travado.
Recordo uma canção antiga
que minha mãe cantava sem alegria
e aguardo que um sopro retorne com o vento da tarde
e traga a notícia de que o verso ainda vive.

Basilina Pereira

Feliz novo ano!

Feliz novo ano!

Nossa mensagem de Natal

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